Talvez você esteja imaginando que a Skull and Bones é coisa de um bando de nerds, cheios de espinhas na cara e idéias pervertidas na mente. Pode até ser. Mas a sociedade dos estudantes de Yale não é qualquer clubinho, não. Ela existe desde o século 19. Seus membros são todos brancos, protestantes e vindos de famílias extraordinariamente ricas. Lá de dentro já saíram ministros, chefes de Estado e dirigentes da CIA (a agência de inteligência americana). Sem contar 3 presidentes dos EUA: William Taft, George Bush pai e George Bush filho.
Mesmo depois de deixarem a universidade, os integrantes da organização continuam se encontrando anualmente, numa ilha comprada por eles no estado de Nova York. Já não bastasse um ritual com gente pelada, caixão de defunto e confissões sexuais, essas reuniões também são cercadas de mistério. Ninguém sabe o que é discutido. E sobram teorias de conspiração. Uma delas diz que a Skull and Bones tem ligações com outras sociedades secretas de gente bacana, como o clube Bilderberg (suspeito de querer controlar o mundo) e os Illuminati (supostos defensores de um governo planetário desde a Idade Média). Para aqueles que desconfiam até da própria sombra, isso tudo não deixa margem a qualquer dúvida: trata-se de uma associação entre os homens mais poderosos de que se tem notícia, que pretendem “lotear” o planeta entre eles.
Segundo a jornalista, a estratégia da organização é exatamente esta: ocupar posições de destaque na administração do país e conduzir outros membros a cargos igualmente relevantes. “Foi o que Bush fez desde que se tornou presidente. Seu assistente direto é da Skull and Bones. Frederick Smith, que só não foi secretário de Defesa por problemas de saúde, também. O conselho do Departamento de Segurança Interna, o chefe da Comissão de Valores Mobiliários, os números 2 e 3 no Departamento de Justiça, o representante do secretário de Segurança na Europa… A lista é enorme.” Isso faz da Skull and Bones, de acordo com Alexandra, a rede de relacionamento mais influente dos EUA – e provavelmente a mais elitista também. Apenas 15 alunos de Yale são recrutados pela Skull and Bones a cada ano e treinados pelos mesmos veteranos que participaram do ritual de iniciação.
Depois da cerimônia de iniciação, os novatos passam um ano prestando serviços à organização. Foi assim com Bush pai em 1948 e Bush filho em 1968. Cada iniciante recebe o apelido de um veterano que já está de saída. Long Devil (“Grande Demônio”) normalmente vira o nome do mais alto da turma. Boaz (uma espécie de diminutivo para Belzebu) fica com o capitão do time de futebol.
Mas tem também o pessoal que leva apelidos bem mais leves, em geral vindos da mitologia grega ou da literatura. O banqueiro Lewis Lapham admitiu certa vez ter transferido sua alcunha, “Sancho Panza”, a Tex McCrary, o jornalista que ajudou a criar o talk show – hoje um dos gêneros jornalísticos mais populares na TV mundial. Bush pai foi “Magog” nos seus tempos de Skull and Bones – nome reservado ao integrante de maior experiência sexual! E Bush filho era o “Temporário” – já que ninguém encontrou um apelido definitivo que lhe caísse bem.
Inicialmente, a organização foi batizada Clube de Eulogia. O nome só passou a Skull and Bones quando sua “logomarca” foi criada, pouco tempo depois da fundação. Trata-se de uma caveira com dois ossos cruzados sobre o número 322. Ninguém sabe ao certo o que esses algarismos querem dizer, mas é lógico que não faltam especulações. Segundo Alexandra Robbins, um grande orador da Grécia antiga – Demóstenes – morreu no ano de 322 a.C. A deusa grega da eloqüência, Eulogia, teria ficado tão triste com a morte de seu pupilo que resolveu deixar este mundo. E só voltou em 1832, quando encontrou novo refúgio na Terra: a sociedade Skull and Bones.
Como os fundadores do grupo e seus primeiros integrantes tinham muito dinheiro, trataram logo de construir um edifício para as reuniões, um prédio com cara de cripta que está lá até hoje. Ele é carinhosamente chamado de “tumba” pelos freqüentadores. E continua testemunhando misteriosos encontros. Todos juraram segredo sobre o que se passa lá dentro ou quão poderosa a sociedade realmente é. De acordo com Alexandra, os integrantes da Skull and Bones são tão zelosos desse juramento que levantam e vão embora de qualquer lugar se o nome da organização for pronunciado.
Enquanto ainda são estudantes, os bonesmen – “homens dos ossos”, como são chamados os integrantes da sociedade secreta – se encontram todas as quintas-feiras e domingos na “tumba”. Sobre o conteúdo das conversas, tudo o que se diz por aí não passa de especulação.
Ritos satânicos e caveiras à parte, uma coisa é certa: em pouco mais de 200 anos, a Skull and Bones produziu muitas das personalidades mais influentes nos cenários político e econômico dos EUA. Além dos 3 presidentes, também saíram da “tumba” dezenas de senadores e congressistas, sem contar dirigentes da CIA, juízes, banqueiros e empresários. Eles estão por toda parte, muitas vezes posando de inimigos perante a opinião pública. É o caso de Austan Goolsbee, principal conselheiro econômico de Barack Obama durante sua campanha à Presidência. Obama passou o tempo inteiro criticando a administração Bush. Mas um de seus homens fortes integra a mesma sociedade secreta à qual pertence o polêmico presidente.
Gente que saiu da “tumba”
De William Taft a Bush filho, 8 poderosos integrantes da Skull and Bones
1878 – WILLIAM H. TAFT
Secretário da Guerra (1904-1908) e 27º presidente dos EUA (1909-1913). Filho de Alphonso Taft, fundador do grupo.
1920 – HENRY LUCE
Senador dos EUA (1985 até hoje), vice-governador de Massachusetts (1983-1985) e candidato do Partido Democrata à Presidência da República (2004).
Governador do Texas (1995-2000) e 43º presidente dos EUA (2001-2008) – um dos mais impopulares da história do país.

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